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Sol… só

É bem mais profunda (e esparsa) a definição da solidão. Seria muito fácil lidar com ela se fosse apenas o sentimento de estar sozinho, na ausência de outrem que lhe faça companhia. Em mundo de tanta gente, se é só estando acompanhado. Porque a solidão globalizada (em bits e bytes de comunicação ilimitada) é estado de espírito e ausência de entendimento.

Há quem fique sozinho somente a portas fechadas. Há quem escancare a janela e continua só, mesmo com o fluxo corrente de falatórios e ofertas. Há quem sinta a solidão amarga e arrastada por gosto, súplica de sofrimento que edifica. Mas há quem derrame rios de arrependimento por não ter deixado frestas e invadido, no quarto escuro, a sombra só de outro alguém.

Aos céticos, farsantes desconfiados, lhe agradam a solidão que isola. Esgueiram-se por territórios vizinhos e, miúdos, espiam de longe as aventuras de quem enfrenta mar de sortes em nau desvairada de paixões. A esses loucos que ignoram a solidão rainha, o escape é tão difuso e confuso quanto o mapa que escolheram seguir. E caso encalhe o barco e lhe rasguem a vela, capotam sozinhos na areia ou afogam em dor que suspira o estômago e corrói de canto a lembrança, incômoda.

É bem mais confusa (e ordinária) a definição de solidão. Nasce no seu oposto, a companhia, a quem busca com desprezo. Ofusca felicidade com máscara de boa resolução, mas compadece e esmorece no silêncio agudo. É bem mais sofrível (e infame) a definição de solidão. Porque não se compreende completamente seu significado até que seu gosto invada alma adentro. Porque o dicionário é inerte. E porque definições são poeira de falares perto das rochas de sentires.

Relacionando

E eis que um dia acordamos e sentimos falta do outro sobre o corpo nosso. Nosso, porque já não há divisão entre os que se amam. São tantos os porquês, a falências de explicação (falácias de pensamento) que o diálogo nunca chega. O que há de espaçoso no ninho, há de confuso e assoberbado n’alma.

Coloca-se à prova os quereres e os deveres. No banco dos deveres: sobriedade, superioridade, identidade com a superação. É necessário que se sinta pra frente para que não se volte atrás. A independência e o raciocínio tomam o lugar do comum, do que se justifica pela simples natureza dos seres vivos.

Antes, o ciclo era natural. Nascer, crescer, conhecer (a si e a outro)… casar, procriar, separar… e partir. Nas conjugações dos verbos, terminações que rimam e se completam. Agora, depois da quebra, inverte-se a ordem, perde-se o rumo e, mesmo racional, quebra-se a naturalidade. No conhecer, nunca é completa a ponte até o outro. Constrói-se o personagem, que se desfaz como ao final da peça. Acaba. Nem a nós mesmos cabe um roteiro fechado. A cada dia, uma personagem construída para nos entreter na realidade… ou para evitá-la.

Não se deve casar, evitando a separação. Não se deve procriar, evitando o compromisso. O medo do partir vem antes mesmo do conhecer. Nos partimos de nós para que não se chegue ao esperado. A próclise é errada, mas evita a ênclise mal sucedida.

Por que é tão difícil seguir o script? Por que do roteiro foi suprimida a vontade? Porque não é permitido sofrer de novo. Quando se quer muito a felicidade, correr dela é parte da estrada para uma paz superficial, fabricada e envolta numa armadura de frieza, manipulação e cuidados exacerbados com os pré-atos. Se ele fizer isso, vou responder aquilo. Se ela disser aquilo, fingirei que acredito para depois inverter o jogo. O jogo. Numa guerra silenciosa de nervos, nunca se vê quem está por detrás do personagem. Nunca se vê vontades. Vê-se intuitos. E neles, nunca está o roteiro que escreveram em seis dias. Aliás, o sétimo dia, o do descanso, parece nunca chegar a quem não se acha numa imensidão de redomas de segurança.

Gênio o Pessoa que disse que cartas de amor são bregas. Ou algo assim. Não diria bregas. Diria ordinárias, comuns, e, por isso, taxadas de pouco dignas. Mas bregas são as declarações, os amores, a vida a dois. Brega e bom. Talvez porque expressá-lo seja brega. E não seria necessário dizê-lo. Ao contrário, fazê-lo é sublime. Bastaria vivê-lo para que não se tachasse brega e fosse completo. Bastaria que os personagens dormissem para que no cenário da vida os amores se realizassem, entregues às vontades, sem conjecturações… sem falas… sem dizeres… só em atos sentidos e entregues.

Soluça num canto
Gotas de resto
Com risco de afago
E quebras no chão.

Esfrega com empenho
Remove com agrura
Leva num pano
Sabor de sabão.

No frio – coisa lenta
No quente – é em vão
Umedece a vida
Mas seca ligeiro
Fluido ilusão.

 Venerável, o sol vai.
O véu d’água
De sabão envenena-se
Pedra em substância:
Substancia-se…

Volúvel, a espuma vende-se
Volta à liqüefeita
Vela sua fantasia vívida
De verve à volátil.

Veste o vento
E voa vil bolha
Vibrando em vilania
Vigora, volante, desvendável.

Dito

Disse meu amigo e vizinho, o Kiko:

“Galinha que é galinha aprende a nadar só para dar pro pato”.

Explicando…

O texto “A primeira vez de uma mulher” escrevi depois de assistir meu primeiro jogo de futebol ao vivo, em um estádio. E foi justo um Brasil X Argentina, no Pré-Olímpico de Londrina. O Brasil ganhou, lógico, salvando-me de futuros traumas ao lembrar da história. Adorei a experiência.

Uma vontade de ir lá, onde tantos já foram e eu nunca experimentei antes. Uma esperança. Toda uma torcida para dar certo, dar tudo certo. Medo do aperto, de de repente não entrar, de tudo ser uma tentativa frustrada de aventura. Mesmo assim, lá fui eu.

Diante daquela esperada e febril situação, as preliminares não foram as melhores. No começo, depois de adquirir o passe para o paraíso da vitória e glória, um tumulto. Eram muitos elementos confusos e excitados, querendo passar por aquele portão, aquela única passagem que parecia impenetrável. Aperta aqui, empurra ali, apalpa, apalpa (para ver se já não entrou armado). E lá dentro, o cenário finalmente ultrapassa os limites da popular película. A realidade assusta.

Daí para frente, uma torcida só, com um único intuito: ir fundo na emoção e vencer. Começa. Vai! Vai! Com força, meu irmão! Prá frente, Brasil! Vai mais rápido que você consegue! A gritaria aumenta e os suores se misturam ao desespero, na possibilidade da falha. Pega essa bola, Mané! Tava na boca do negócio! Qué um amendoim? Água? Só mais tarde. Vai que dá! Uuuuu… Essa até meu avô fazia… Pára de perder bolas, trôxa! Isso aqui é armadilha, tem que armar melhor! Vamos! Tem que enfiar no meio das traves, e não pra fora!!! Vai, vai, assim, assim, com o jeitinho brasileiro, vai, GOOOOOLLLLLLL!!!!!!

O êxtase se espalha no ar, a euforia reina. Mais um, dois, três!!! Já foram quatro! Eu disse que dava! Gol, gol, gol, gooooolllll!!!!! Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amoooooooooor! Amoooooooooooor!!

Ui! Que canseira dá isso! Então, a saída foi calma. No cenário, a limpeza agora vai fazer seu trabalho. Do êxtase, pude trazer a lembrança da glória, das trombetas tocando ao som dos berros de alegria. Foi bom. Foi maravilhoso pisa num estádio pela primeira vez, e logo no meu debut futebolístico poder participar da emoção do Brasil X Argentina, no Pré-Olímpico de Futebol, em Londrina.

Mas apesar de toda a experiência ter sido memorável, fica aqui uma sugestão desta torcedora de primeira viagem: por que não investir mais nas mulheres para esse tipo de esporte? Afinal de contas, elas têm mais peito, agüentam mais “pau” e sabem muito bem como mexer com a bola…

Poesia

Escrevo desde criança… A vontade veio no sangue, depois de uma avó que rascunhava sua vida simples em poesia e atrás de um pai que é um verdadeiro tradutor das belezas em letras impressas. Começo agora uma breve retrospectiva do que mais gostei de escrever desde minha adolescência. Espero terminar quando a vontade de voltar a escrever me apareça… Espero que gostem. Aqui vai o primeiro:

 Sensoriais

Gritos ensurdecedores
Do surdo
Ouvidos parabólicos
Do mudo
Olhares de banda
Dos curiosos…
E a vida continua sem sentidos.

Deparei-me, sem querer, com algo que adorei no You Tube: um clipe com cenas do filme “O fabuloso destino de Amelie Poulain” com fundo da música Sentimental, dos Los Hermanos. Duas coisas que adoro juntas! Foi uma alegria tão boa quanto comer chocolate e beber coca-cola!

Sempre gostei de tudo que voa… Os que me conhecem, sabem que sou fã de filmes em que as pessoas voam… E também gosto do céu, das estrelas e da lua. Não vejo espaço mais democrático do que um blog, ponto de partida para que as palavras criem asas e as idéias vaguem. Ainda não estou bem feliz com o nome “Palavras aladas”. Mas aceito sugestões! Espero encontrar aqui um espaço pra Ana que não é professora, não é jornalista e nem precisa entregar milhões de coisas até sexta-feira!!! Esse espaço é minha casinha, para a qual convido os amigos pra um vinho e um fondue num final de tarde de friozinho. Aconcheguem-se!